sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Efeito Eduardo

Surgiu em uma obra no humaitá, Rio de Janeiro e tem se espalhado como um vírus: Efeito Eduardo.

Trata-se de uma síndrome que consiste em tornar as pessoas confusas quanto ao seu papel, seu propósito e sua realidade. Seja ele como pai, empregado, empregador, policial...

Presenciei algumas pessoas afetadas com essa doença. Poderia até dizer que vi o Ponto Zero, onde tudo começou.

"Uma parede jazia no chão. Um peão tentava cortá-la para distribuir suas instalações hidráulias quando de repente a parede caiu.
Reunimo-nos eu, o mestre de obras, um estagiário e o encarregado da alvenaria/revestimentos. Estávamos a olhar a parede caída e pensando todos em suas respectivas cabeças 'fudeu, vamos ter q demolir umas 15 paredes igual a essa'.
Até aí beleza. Sabíamos que poderia dar merda e tal. Mas a situação não poderia ficar por aí. Me vem a bosta dum encarregado de instalações, olha pra cara de todos, olha pra parede e dispara:

- A parede caiu.

Olhamos pra ele com uma cara de "Jura?! Nem vi, mané!". Como vocês podem prever, o nome da bestialidade humana era Eduardo.

Até então achei que fosse um caso pontual, mas percebi que o sintoma evoluia rapidamente em sua pessoa e em breve foi demitido.

Mas um vírus não dá uma gripe e some. Ele se espalha. Se espalha como areia no vento, como diarréia no vento.

Ontem fui acometido por outra pérola, desta vez pelo mestre (observem que ele estava presente no 1º ato!).
Nosso carísso prezado mestre pôs alguns funcionários de uma determinada empresa em um quartinho lá, para trocarem de roupas e etc.
Um dos referidos funcionários veio me comunicar que lá estava muito ruim, caía água dentro. Aproveitei que dito cujo passava perto de mim e disse:

- Aí, mestre tá caindo água no barraco deles.

Como ele ficou olhando com uma cara, digamos.... idiota, resolvi complementar:

- Bota um servente lá.

- Quer que eu tire a água?!

Sem saber como dizer "Óbvio, mula!" gentilmente eu confirmei lentamente com a cabeça.
Percebi pelo modo que ele saiu de lá que ele não faria. E o pior. Reconheci o maldito sintoma.

Controlei meus instinstos, devia ser engano meu!

Depois de dois dias chego em casa. Lucas e minha mãe discutindo. Novidade. Sento-me no sofá enquanto tento pescar o motivo da briga.

- Lucas, são 18h30!!! Você tem aula nesse instante!! Larga esse videogame e vai pra aula!!

- Já são 18h30??

- Jáaa!!!

- Porra a culpa é sua porque não me chamou!!


Óbvio que saí correndo de casa desesperado.
Estou escondido em uma pequena cidadela do interior esperando que o vírus não tome conta. Torço pra que um dia eu possa voltar.


04/09/09 Rio de Janeiro.




Mensagem enviada pelo meu blackberry.

Um comentário:

Léo disse...

Muito tempo não lia um post tão bem feito, parabéns...



Quanto ao efeito Eduardo, vc torce pra voltar pro Rio de Janeiro???!